quarta-feira, 23 de março de 2011

Meio ambiente interno e externo



Sensibilizar-se. Parecer, estar ou ser sensível. Quem realmente hoje pode ou se permite viver esse estado sensório dentro de uma grande cidade, principalmente no meio urbano?

Muitas vezes, o que temos na superficialidade, é uma cidade sem fim, espetacularmente gigante e sufocante, que é habitada por um mar também sem fim, de humanos que vistos individualmente, parecem ínfimos, mas formando uma imensa massa, guiam-se em uníssono.

Condicionar-se, condicionamento físico, condicionamento urbano. Tudo muito parecido e complementar.

Nosso corpo, de carne e osso, precisa receber um condicionamento físico, para atingir melhor eficiência. Ouve-se a todo instante. Mas, que eficiência estamos buscando? Que tipo de condicionamento será imposto para o corpo assimilar? Quais atividades físicas serão escolhidas para se chegar a este corpo almejado?

Ter uma aparência "bonita e saudável" é sinônimo da eficiência da função? A eficiência em questão... e a constatação de que muitas dessas perguntas não fazem parte de nossos questionamentos, talvez por não sobrar tempo, ou não estarmos  dispostos a refletirmos sobre isso. Assim, a tendência de se deixar levar pela moda ou modelo da vez.

A cidade, esse outro organismo vivo, também necessita visceralmente da eficiência, buscando-a incessantemente. Precisa cumprir seu papel produtivo e veloz, criando mecanismos. O problema é que muitas vezes, isto gera alguns efeitos colaterais que comprometem a simples presença do humano em seus espaços e o que os olhos não vêem... ou melhor o que o corpo não ocupa, a percepção não alcança.

Uma vez mais, a reflexão sobre qual é a real eficiência que se está em jogo.

Retomemos à sensibilidade, necessária para abrirmos nossos canais receptores, investigadores, transformadores. Antes de tudo, ela se revela como uma escolha.

Desgarrar-se do grande bloco, para sentir, pensar, adquirir consciência, envolve um bocado de coragem, sendo necessário topar o desafio.

A partir daí, o caminho está aberto para as errâncias:  se perder,  lentidão, corporeidade.

O humano se descondiciona, corpo libertado dos modelos pré-ditados. Corpo que agora ocupa seus meios ambientes interno e externo. Sim, esta é uma verdadeira forma de eficiência.

Ocupar a si, ocupar a cidade. Fazer parte do coletivo, não de uma massa.

Pensar com a cabeça, pensar com o corpo. 

Assim, pode ser o caminho. Veremos na prática.

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