quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Aterrar

Encher com terra, cobrir com terra, pousar em terra são alguns dos significados oferecidos a palavra pelo bom e velho Aurélio. 

E inevitavelmente, nos remetemos a região do corpo que se encontra o mais próximo a terra ou chão a maior parte do tempo: nossos pés.

Na conecção pé-terra, obtemos o centramento e equilíbrio, base para o movimento e a ação do restante do corpo. Minha autonomia. E não me refiro só ao ponto de vista postural.

É muito frequente, nos distanciarmos da terra. Para começar, usamos sapatos que nos oferecem uma boa barreira ao contato e se forem de bico fino, apertados, incômodos, muito embora, fashion (?!) e esteticamente "bonitos"(?!) farão nossos pés sofrerem dentro deles. Na radiografia da situação temos dedos crispados, encavalados, musculatura intrínseca dolorida, calos... e já começamos a nos distanciar da terra, mesmo estando com os pés no chão.

Não demora para lembrarmos do salto alto, impondo um constante jogo de desequilíbrio a todo o corpo, piorando à medida que saímos da estática para o caminhar, e ainda se agravando nos terrenos irregulares e inclinados. Aumenta-se muito a quantidade de adaptações e ajustes que o sistema nervoso central e periférico terão que fazer para permitir e refinar a manutenção da postura e do deslocamento, impedindo que desmoronemos no chão (não é a forma mais segura de aterrar, concorda?)

Além disto, a lordose lombar ficará muito acentuada, com grandes chances de passar de uma situação fisiológica à patológica (dores lombares). Daí, pela adaptabilidade forçada, se tornará mais díficil viver sem o salto alto, porque o nível de encurtamento dos músculos posteriores (coluna, pernas) principalmente com o uso constante, não permitirá que permaneça muito tempo em pé sem que o esteja utilizando (já ouviu a fala: me sinto melhor de salto do que sem?)

Ainda, o questionamento sobre o quanto de insegurança e angústia nos pré-dispomos ao lidar sem consciência, com uma situação de desequilíbrio permanente (mesmo para as muito "adaptadas"). Impomos mais trabalho, sacrifício e risco ao corpo, a nós.

Outro exemplo que denota a tendência de nos afastarmos do chão é quando sentamos e cruzamos as pernas, significando que uma delas ficará no ar, diminuindo a base de apoio e provocando o deslocamento no eixo da coluna vertebral. Menos mal, quando pelo menos cruzamos afastando uma coxa da outra (como homem faz ou fazia). Mas, será elegante mesmo cruzar as pernas ao sentar? Que tipo de elegância busco?

Não me esqueci que vivo neste Planeta, numa sociedade "civilizada" existindo certos padrões já estabelecidos, aos quais fomos apresentados e habituados a valorizá-los, considerando-os adequados e esteticamente corretos. Assim acontece, mas não nos impede de olharmos e refletirmos sob outros ângulos, visando benefícios a nós mesmos.

Assim, pensar na manutenção da forma, evitando desconfortos e deformidades deveria ser naturalmente a escolha. Sabemos que não é possível andarmos descalços o tempo todo. Mas, há um tempo que podemos. Então, devemos andar. E também, só adquirirmos calçados confortáveis que respeitem ao máximo a anatomia dos pés, além de abolir o uso de salto. Hoje existem inúmeras possibilidades de se encontrar modelos interessantes, sem que sinta que está usando algo demodé. Mesmo para um figurino de festa, é possível. 

Outro ponto, refere-se ao questionamento do quanto se faz necessário para que através da conecção pé-terra harmonizemos nossas enérgias. Somos compostos por campos magnéticos de enérgia, cargas elétricas positivas e negativas que precisam estar equilibradas, sendo o mecanismo facilitado quando colocamos os pés no chão. E isto, não tem nada de esotérico.

Estas são apenas algumas percepções que procuram despertar o olhar e o direito a autonomia de cada um. Temos a liberdade de escolher o que julgamos ser mais interessante a nós, da estética à saúde e ao bem-estar.

Mas confesso, que quando vejo um corpo lutando para se equilibrar no salto, mesmo a pessoa apresentando uma fisionomia que não denote tal esforço, só me vem a cabeça uma inversão da expressão da qual já ouvimos tantas vezes: Será que não é melhor descer do salto?

Aterrar-se.
Mais um caminho para um Corpo Sustentável.



segunda-feira, 20 de junho de 2011

Alimento

Temos visto no blog as relações entre o humano, meio ambiente e sustentabilidade alinhavadas pelo corpo.

Não à toa sigo o caminho motor para percorrer o Corpo Sustentável, pois como já afirmei anteriormente, pensar em corpo, é pensar em movimento (e em especial, para uma fisioterapeuta).

Mas, ainda ocupando o movimento o papel principal, podemos expandir as associações e numa atitude de atrevimento, traçar relações entre o Corpo Sustentável e outros aspectos. Por exemplo, a alimentação (fonte de enérgia para o movimento).

Hoje, é muito comum, dispensarmos tempo e atenção ao tema...

... falta de alimento, excesso, distúrbios alimentares, doenças relacionadas a forma que nos alimentamos. 

Nossa alimentação reflete também nossas escolhas, nosso estilo de vida: a quantidade e qualidade do alimento consumido, passando pela comodidade, trabalho e tempo  dispensados desde o preparo ao ato propriamente dito de comer. 

Muitas escolhas e hábitos que resultam mais comumente em quilos a mais (ACUMULAMOS). Estamos ficando mais gordos. E ainda, por cima, toda facilidade do mundo tecnológico, "facilitando" nossa vida, economizando nossa enérgia. Tudo em conformidade com o modo que vivemos. 

Como diz uma velha música... É preciso ter atenção...

Não se trata de perder noites pensando nisto tudo, mas admitir certas associações, evitando buscar fórmulas mágicas ao que está certo como mau escolha, que levará a outras tantas.

Nosso estilo de vida é o grande responsável pelo final da obra... e tudo isto, pode ter certeza muito se relaciona com meio ambiente e sustentabilidade. Passa pela mudança de modelos que já não nos servem... que me corrijam os educadores ambientais.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Pensar global, agir local: com o corpo

Já deve ter ouvido a frase: pensar global e agir local.

Este lema muito difundido por ambientalistas foi consagrado na Rio-92, importante conferência  a qual dentre outras coisas, também elegeu a Agenda 21 global : instrumento norteador a viabilização do desenvolvimento sustentável (vale o acesso, caso não conheça).

Mas, retomando... 

Antes sempre associada ao tema ambiental, a frase ganha outras dimensões e novos territórios de acordo com a interpretação, prevalecendo a essência do significado: não perder a noção do todo, atuando em parte. 

Impossível não associá-la ao corpo. 

Utilizando ou trabalhando partes do corpo em determinada atividade física,  otimizamos ganhos e diminuímos o risco de lesões e problemas futuros, quando não perdemos a atenção da estrutura toda.

E isto serve para qualquer prática física (esportiva, lazer) ou atividade da vida diária (calçar sapatos, apanhar objetos no chão, etc). 

Vamos a um exemplo comum no dia a dia: ao pegar um objeto pesado com uma das mãos, ou mesmo carregar sua bolsa no ombro, observe como se comporta o resto do seu corpo: o quanto um ombro se abaixa, enquanto o outro se eleva, num jogo de compensação de peso. E isto só para começar, pois podemos pensar nas compensações do tronco-coluna, coxo-femurais, joelhos e até mesmo nos pés de um lado e outro. O corpo inteiro passando por adaptações acionadas pelo peso (quanto mais, maiores adaptações).

Mas, quantos de nós somos capazes de dar conta de todas essas alterações citadas? E isto é necessário? É preciso saber dessas questões bio-mecânicas?

Não, necessariamente. Mas, pense como pode se beneficiar se estiver um pouco mais atento a como todo seu corpo se comporta, principalmente em situações pouco favoráveis, como ao abaixar ou "estender-se" todo a fim de alcançar algo.

Em sua "ação local", pense em todo esforço e nas consequências que o corpo inteiro colherá nesta atividade.

E depois, se chegar a conclusão que se desgastou além do necessário, ou se comportou como um acrobata inconsequente, imagine como pode fazer melhor... poupando enérgia, protegendo-se de acidentes, evitando desgastes articulares e dores musculares.

Assim, pode acontecer no cotidiano, à princípio de forma mais consciente, e depois num caminho bem mais sútil e natural.


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Corporeidade

Existe uma área de conhecimento em que o corpo ocupa o centro das experiências, sensações e criações, visando aspectos da globalidade do ser e do auto-conhecimento. Refere-se à corporeidade.

Trata-se de perceber o espaço ocupado pelo corpo, habitando e reconhecendo-o em suas várias perspectivas.

É a capacidade do humano sentir e utilizá-lo como ferramenta de manifestação e interação com o mundo. Vivenciar o mundo.
 
E quanto mais frequente e intensa a experiência, melhor nos (re)conhecemos e podemos tirar proveito desse corpo, desse instrumento...

Recurso que nos personifica e oferece meios para realizarmos o que necessitamos.

Esqueça a visão mecanicista e superficial dada ao corpo.

Tão limitante é enquadrá-lo numa forma estereotipada, seguindo a moda da vez, sem que ao menos perceba e reconheça o preço pago pela ditadura da "beleza".

Tão limitante é impor práticas físicas que exaurem articulações, levando a encurtamentos musculares severos, causando desequilibrio a sútil relação entre músculos agonistas e antagonistas. 

Tem certeza que o fortalecimento e alongamento que realiza em sua prática está na medida para manter a harmonia em todo conjunto? 

Mais do que gostaria, me deparo com situações em meu dia a dia de trabalho, em que a musculação causou grandes descompensações biomecânicas. Não pretendo execrar essa prática física, mas é preciso que se reconheça o tênue equilibrio dinâmico entre a estrutura osteo-músculo-articular. 

Vale o príncipio da atenção e  precaução sempre.

Escolher a prática física que traz bons frutos para seu corpo e lhe dá prazer pode ser um pouco trabalhoso. Mas, não deixe de se auto-perceber e avalie, reavalie... questionando se o que escolheu como atividade lhe traz bem-estar, enérgia, resistência, amplia possibilidades para se mover, traz naturalidade aos seus movimentos, gestos, posturas. 

Aposto na informação, autonomia e responsabilidade como grandes aliadas a favor da corporeidade... da experiência de vivenciar o mundo, o planeta... construindo-se um Corpo Sustentável. 


terça-feira, 10 de maio de 2011

Corpo Travado

Quem já não ouviu ou passou pela situação de sentir a "coluna travar", o "corpo travar". O chamado "mau-jeito". Situação comum, mas nada confortável.

De forma geral, a dor atinge principalmente os músculos que se inserem nas vértebras, ou seja, os músculos para-vertebrais. Ficam inflamados, rígidos e contraturados.

E o que se inicia em uma parte da estrutura, se amplia e o corpo todo se ressente. Os braços limitam sua movimentação, o mesmo acontecendo com as pernas. Observe a marcha, o caminhar de alguém acometido pelo infortúnio: passos curtos, inseguros, braços e cabeça com pouco balanceio.

Na coluna vertebral se inserem potentes músculos excessivamente tônicos e fortes (sim, é assim nossa fisiologia), que agora encontram-se inflamados e vulneráveis.

Desta forma, mais do que a força são necessários outros requisitos para garantir uma estrutura saudável: o alongamento das próprias fibras musculares, a flexibilidade das articulações... enfim a harmonia de todo conjunto ostéo-músculo-articular envolvendo: coluna-tronco, membros superiores, inferiores, cabeça.  Aqui como na vida, uma andorinha só, não faz verão.  

Mas, por que é tão comum pessoas serem acometidas por problemas que envolvem a coluna vertebral?

A resposta passa pela somatória de fatores que se relacionam a hábitos nocivos em nosso cotidiano, levando a situações que nos imobilizam transitoria ou definitivamente.

Posturas inadequadas ao sentar, ao andar, desde as "largadas", em que o abdominal quase não exerce seu papel postural, às excessivamente rígidas são um bom começo para começarmos o questionamento.

Também a imobilidade no dia a dia (já tratada aqui no blog), nos restringindo na forma e na ação. Nenhuma atividade física  será totalmente efetiva se ficar horas e horas seguidas imobilizado a frente do computador, por exemplo.

Esforços excessivos, além do que o corpo suporta são bons causadores de lesões agudas...

É preciso alternar, compensar sistematicamente: imobilidade/mobilidade, esforço/repouso, mantendo sempre a atenção no estado corporal.

Bom senso sempre! Eficiência na ação, não pró-forma.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Corpo: Testemunha Ocular

Traçar paralelos, integrar homem e meio ambiente, focar e reconhecer o corpo humano em toda sua complexidade como uma parte do todo, sendo considerado concomitantemente, espaço ocupado e ocupando um espaço no meio ambiente tem sido objeto de investigação do blog.

Na vida, o corpo é certamente um magnífico canal de percepção, sensibilização e comunicação. Por isto, insistir no valor da experiência corporal como recurso para entendermos o que se passa lá fora.

Para ilustrar, lembre-se de alguma situação prazerosa que passou em viagens, no alto da montanha, ou em algum parque, embaixo de uma árvore sentindo o molhar da chuva, o som do vento, o cheiro do mato... Nosso corpo através de milhões de receptores captou cada uma das sensações que ficaram na memória.

E assim também, com as experiências menos agradáveis como o mau cheiro do rio poluído, do gás ácido dos escapamentos, o barulho infernal das grandes vias de trânsito (consegue andar a pé na Av Bandeirantes incólume?), a poluição visual. Está tudo registrado em você, em seu corpo.

No dia a dia, nos expomos e passamos por várias situações boas ou não, interagindo com o meio e a vida, com esse veículo ou casa móvel inata, o corpo.

Assim, ao tratar qualquer assunto sobre meio ambiente e sustentabilidade não deveríamos ignorar nossa experiência corporal. Antes de analisar, teorizar sobre algo referente ao tema é interessante ter a consciência que você já teve muitas informações através deste outro canal,  sentindo,  percebendo, interagindo em muitas situações, a vida toda e a todo momento.

Esta é apenas uma mostra do valor do corpo em nossa vida. Óbvio sim. E também, concordamos que ter um corpo saudável e ágil é bom para ampliarmos experiências. 

Então, pensemos em tudo isto,  respeitando e oferecendo boas práticas a nós, ao corpo. Poupando-o de impactos negativos, otimizando ações, dando-lhe eficiência sem desprender uma enérgia excessiva. 

Lembre-se: ele será sempre a testemunha ocular de nossas escolhas e vivências.


terça-feira, 26 de abril de 2011

Convite

Bons dias!

O livro "Sustentar a Vida" é fruto da união de profissionais de diferentes áreas analisando a temática da sustentabilidade. Foi desenvolvido para o leitor comum, sendo de leitura fácil e dinâmica.

Assino o capítulo "Corpo Sustentável- um caminho através do movimento", que assim como o blog oferece um novo ponto de vista sobre o assunto.




Até lá!!

domingo, 10 de abril de 2011

Simplicidade


Ir ao encontro da simplicidade... ao que de fato necessito... às vezes não é nada simples.

Não se trata de um apologismo messiânico ao desapego, mas do questionamento sobre o que é realmente necessário para que se possa viver de forma saudável, integral e respeitosa consigo mesmo.

Algumas dimensões da vida humana são colocadas como fundamentais afim de nos garantir algum equilíbrio e harmonia nesses tempos modernos...

Lazer                                              Amor
                  Contemplação                               Paz de espírito
      Movimento                     Auto-realização                    

Me detenho ao que se relaciona ao movimento, as práticas físicas, ao corpo propriamente dito, embora tudo faça parte do todo e estejam interligados.

Deixar-se movimentar no cotidiano é uma necessidade básica. É primário que se espreguice ao levantar, caminhe distâncias, corra quando está com pressa, "estique" partes quando seu corpo pede, suba escadas, sinta sua respiração ofegante aos esforços, transpire.

Tudo muito básico. Mas, será que temos tempo e disposição pra seguir a ordem natural? Quantas vezes somente me dou conta que o corpo existe quando  sofro nessas situações? E o pior, em alguns casos a constatação de que não consigo realizar nem esse "basiquinho", ficando bem desconfortável quando fujo ao mínimo do que costumo fazer. 

Então, seguindo a linha da simplicidade, vale expor o corpo ao que é necessário para se viver, tocando as exigências do dia a dia de trabalho, as tarefas de casa, os deslocamentos a pé.

E depois avançando, podemos pensar em atividades ou práticas físicas em que se identifique corporal e subjetivamente. Sim, fazer algo que goste, que lhe ofereça satisfação e bem-estar constatadas na sua carne, em você. Não necessariamente a moda da vez, mas o que te faz bem hoje e amanhã.

É razoável querer ter um corpo bonito, mas muito melhor se associarmos agilidade, resistência, inteligência, capacitando seu físico a fim de que possa executar suas tarefas cotidianas... e principalmente, sem predispô-lo às lesões.   

Portanto, ao realizar uma atividade física no contexto esportivo/lazer, mesmo se cansando, ultrapassando o convencional ... perceba o quanto daquilo seu corpo consegue assimilar, o quanto consegue dar conta, se dói, se realiza excessivamente caretas de sobre-esforço. Atente ao que se demonstra como natural e ao que já passou da conta.

Informe-se, mas sobretudo experimente, perceba e questione.

Bons movimentos com um Corpo Sustentável!



segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sustentabilidade


O tema da vez é a sustentabilidade. Está em toda parte: conferências, noticiários,  empresas, escolas ... blogs!!!

Cada um tratando o assunto de acordo sua necessidade e interesse.

É incontestável que apesar da nobreza do assunto, ocorreu a banalização do termo. Tornou-se vantajoso ter a imagem ou produto associado a palavra mágica.

Assim, tem acontecido. 

Mas também, há quem tenha o comprometimento real com a causa. 

Existem muitos humanos que revendo seus conceitos, começaram a se questionar e preocupar com a responsabilidade que compete a si dentro da dinâmica da vida. Isto envolve, desde  aspectos relacionados ao excesso de consumo dos recursos, as cadeias de produção, ampliando para infinitas relações consigo, com o outro e o Planeta.

O blog Corpo Sustentável nasce do questionamento de alguém que trabalha com o corpo humano, mas sendo maravilhada por esse Planeta e estudando algo que se refere ao meio ambiente, viu na educação ambiental e na educação corporal (ou somática) grandes paralelos e interrelações. Integração.

Mas, falemos um pouco de quando surge o conceito de sustentabilidade. 

Ele não é tão novo(!), embora venha se delineando desde 1972 na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo. Somente passa a receber a denominação sustentabilidade no Relatório Brundtland em 1987, e oficialmente se consagra na Rio-92, como desenvolvimento sustentável.
  
Quanto a definição mais aceita, refere-se ao desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. Não esgota os recursos para o futuro.

Informações importantes, as quais valem lembrar.

Desse modo, podemos refletir sobre as relações de desenvolvimento sustentável que construímos ou construíremos com o nosso corpo,  aspectos que se relacionam ao quanto dará conta de suprir minhas necessidades no dia a dia... quanto o sobrecarrego ou não, de forma que não se esgote antes do esperado (como exemplo : artroses precoces por over use)... quanto é de fato inteligente, econômico e eficiente... belo na ação.

Uma outra forma de se pensar em sustentabilidade...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Somos Meio Ambiente

Caros humanos,

Retorno ao tema, lançando um novo ponto de vista... mas é preciso "cabeçar" um pouco para explicar! Veremos que a ideia não é tão estranha.

A pesquisa no velho Aurélio do significado da palavra meio remete a "lugar onde se vive"; já ambiente corresponde a "aquilo que cerca ou envolve os seres vivos ou as coisas".

Quanto a definição de "meio ambiente", se refere a indicação de um espaço (com componentes bióticos e abióticos, suas interações) em que um ser vive e se desenvolve trocando energia e interagindo com esse espaço, transformando e sendo transformado.

Assim, pensar no corpo como um espaço preenchido por matéria, ou seja, órgãos e organismos  (sim, por exemplo aquelas bactérias presentes em nossa flora intestinal) dentro de um limite físico onde acontecem inúmeras e complexas interações e transformações, não nos distancia da relação provocada no título do post.
  
"Templo da alma", "Morada do eu", "Minha primeira casa"... não é raro nos depararmos com frases que situam o corpo como espaço ocupado. No caso, novamente encontramos a  referência da atribuição de um sentido de preenchimento a um lugar. Sendo assim, ocupamos primeiro a Nós mesmos, seguindo o Planeta e o Universo.  

Essa provocação através de definições e associações, pretende aproximar o tema ambiental do seu espaço, de você. 

Imaginar-se meio ambiente... algo que não está lá fora, mas que é você, sua carne, pode fazer alguma diferença, quando refletimos sobre  os variados assuntos ambientais os quais nos deparamos cotidianamente.

No mínimo pode nos sensibilizar mais para essa temática... ou então, sob outro olhar , favorecer a ideia de encarar nosso corpo não como mais um meio a ser explorado até a extinção, sem dó ou piedade...

...mas como um lugar que pode ser desenvolvido sustentavelmente, garantindo uma melhor harmonia e qualidade de vida a quem se constitui dono do pedaço.


Construir um Corpo Sustentável, entende?


domingo, 27 de março de 2011

Movimento

O movimento é intrínseco ao corpo. 

Através de variados e complexos circuitos que envolvem músculos, ossos e articulações integrados  ao sistema nervoso central e periférico, temos condições de movermos partes ou todo, nos deslocamos.

Assim, vivemos o cotidiano: andando, trabalhando... acionando das mais variadas maneiras a engrenagem que nos faz movimentar o corpo, a vida.

E quando, por algum motivo qualquer, nos movemos menos que o necessário, nosso corpo logo sente. Dores musculares, sentimos o corpo "travar". Sem escolha, somos obrigados a diminuir o ritmo (agora da vida). Uma ironia... movimentei-me pouco, restringi meu corpo ao sub-uso, sinto dor, e por isso, acabo ficando condenado, de fato, a imobilidade.

No dia-a-dia, é fácil entrarmos em verdadeiras ciladas que nos imobilizam. Tudo é tão tecnológico, prático e acessível, construído para o nosso conforto, não é mesmo? Pelo menos, até o lado B.

Ficar horas sentado em frente a TV, dirigindo no trânsito, navegando e trabalhando no computador. Isso faz parte de nossas vidas, e muitas vezes, não temos como fugir dessas situações.

Mas, será que tem de ser sempre assim? Quantas vezes, nos acomodamos de fato nessas situações, neguigenciando a ordem natural das coisas, ou seja, o movimento. 

Certamente, nosso corpo pedirá movimento e demonstrará através de cansaço, desconforto, formigamento, dor. Posso ignorar, mas até quando? Um corpo  constantemente dolorido está contribuindo para um presente e futuro cheio de limitações.

Construir um Corpo Sustentável tem muito a ver com a atenção e cuidado que decidimos ter conosco. 

Se sinto desconforto porque estou sentado há horas ou porque caminho o suficiente para chegar, no máximo, da calçada ao carro estacionado próximo, terei que rever essa parte de meu cotidiano e partir para opções que façam meu corpo se mover.

É comum nos lançarmos em soluções rápidas, como  usar um analgésico ou anti-inflamatório, mas isso não resolverá o problema de fato. Partir para a solução na origem, aumentando o repertório de movimento em seu cotidiano é a alternativa  necessária e possível.

Algumas atitudes comuns podem ser um bom começo como: a cada hora na frente do computador, se levantar, dar "aquela esticada"... ir beber uma água; subir alguns lances de escada ou invés de usar a escada rolante; fazer trajetos a pé; mover partes do corpo que sinto emperradas; executar tarefas domésticas (é sério!). 

Essas atitudes tão simples, as quais já deve ter ouvido dezenas de vezes, mas não deu muita atenção, não requerem grandes parafernárias ou mudanças radicais, mas com certeza, funcionam se usadas com frequência.

Você tem um corpo, que precisa de movimento... 
                                                   é natural,
                                                 é muito bom!




quarta-feira, 23 de março de 2011

Meio ambiente interno e externo



Sensibilizar-se. Parecer, estar ou ser sensível. Quem realmente hoje pode ou se permite viver esse estado sensório dentro de uma grande cidade, principalmente no meio urbano?

Muitas vezes, o que temos na superficialidade, é uma cidade sem fim, espetacularmente gigante e sufocante, que é habitada por um mar também sem fim, de humanos que vistos individualmente, parecem ínfimos, mas formando uma imensa massa, guiam-se em uníssono.

Condicionar-se, condicionamento físico, condicionamento urbano. Tudo muito parecido e complementar.

Nosso corpo, de carne e osso, precisa receber um condicionamento físico, para atingir melhor eficiência. Ouve-se a todo instante. Mas, que eficiência estamos buscando? Que tipo de condicionamento será imposto para o corpo assimilar? Quais atividades físicas serão escolhidas para se chegar a este corpo almejado?

Ter uma aparência "bonita e saudável" é sinônimo da eficiência da função? A eficiência em questão... e a constatação de que muitas dessas perguntas não fazem parte de nossos questionamentos, talvez por não sobrar tempo, ou não estarmos  dispostos a refletirmos sobre isso. Assim, a tendência de se deixar levar pela moda ou modelo da vez.

A cidade, esse outro organismo vivo, também necessita visceralmente da eficiência, buscando-a incessantemente. Precisa cumprir seu papel produtivo e veloz, criando mecanismos. O problema é que muitas vezes, isto gera alguns efeitos colaterais que comprometem a simples presença do humano em seus espaços e o que os olhos não vêem... ou melhor o que o corpo não ocupa, a percepção não alcança.

Uma vez mais, a reflexão sobre qual é a real eficiência que se está em jogo.

Retomemos à sensibilidade, necessária para abrirmos nossos canais receptores, investigadores, transformadores. Antes de tudo, ela se revela como uma escolha.

Desgarrar-se do grande bloco, para sentir, pensar, adquirir consciência, envolve um bocado de coragem, sendo necessário topar o desafio.

A partir daí, o caminho está aberto para as errâncias:  se perder,  lentidão, corporeidade.

O humano se descondiciona, corpo libertado dos modelos pré-ditados. Corpo que agora ocupa seus meios ambientes interno e externo. Sim, esta é uma verdadeira forma de eficiência.

Ocupar a si, ocupar a cidade. Fazer parte do coletivo, não de uma massa.

Pensar com a cabeça, pensar com o corpo. 

Assim, pode ser o caminho. Veremos na prática.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Corpo Sustentável

Querido Humano(a), seja bem-vindo(a)!

Aproximar o tema ambiental e da sustentabilidade de nossa vida, mostrando novos olhares e traçando um paralelo direto com a saúde, será o desafio do blog.

O caminho escolhido para despertar essa reflexão será o do corpo. Esse mesmo, de carne  e osso.

Ocupando o ponto de partida ou chegada, nosso corpo será relacionado e integrado ao meio ambiente e a sustentabilidade.

Discutiremos sobre qualidade e estilo de vida, movimento, prática física, saúde. 

Escolhas... conscientes ou não, que fazemos a todo momento, determinando nosso modo de viver, bem como, nossas relações primeiro conosco, se estendendo ao outro e ao planeta.

Para ilustrar esse início, escolhi na simbologia africana Adinkra o símbolo: "SESA Suban WO" que significa "Mudar ou transformar seu personagem".


Trata-se da transformação da vida, reunindo dois símbolos, a "Estrela da Manhã" que pode significar um novo começo para o dia, colocada dentro da roda, que representa a rotação ou movimento independente.

Bons dias!