segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Somos corpo

Não há verdade mais absoltuta de que existimos a partir do corpo.

Somos corpo, dentre outras coisas. E ampliando, somos movimento.

Vivemos e nos relacionamos a partir dos movimentos e gestos, executando desde o básico escovar os dentes e andar, até as atividades físicas que escolhemos praticar.

Através dessas atividades podemos buscar além da satisfação do trabalho corporal, algo que nos faça sentir vivos.

O corpo livre para desenvolver-se de acordo com suas necessidades e possibilidades.

Sou adepta da dança que se denomina contemporânea, mas só consigo concebê-la a partir das possibilidades corporais que posso e quero realizá-la, em um modelo plástico e libertador. Chamo-a de Dança Ânima. O próprio corpo como grande aliado, sempre aponta até o ponto em que devo ir, quais caminhos são excessivos, o que é bom ou não. 

Para qualquer atividade escolhida, esteja livre e atento para perceber os sinais corporais sobre o que lhe é assimilável ou prejudicial. Ele será sempre seu melhor conselheiro e as respostas estarão em você.

Assim, natural e responsavelmente, alforrie seu corpo de modismos ou ditaduras e independente da atividade física escolhida exerça o papel de atenção, percebendo-se durante as práticas. A maioria das atividades são benéficas, mas dependem da qualidade do conteúdo oferecido, aprimoramento prático e acima de tudo, do próprio (re)conhecimento e assimilação do quanto e do que é de fato interessante e positivo a você.

Independência, experimentação e cuidado são as máximas da vez. Com prazer e leveza.


Foto Pedro Martinelli


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Aterrar

Encher com terra, cobrir com terra, pousar em terra são alguns dos significados oferecidos a palavra pelo bom e velho Aurélio. 

E inevitavelmente, nos remetemos a região do corpo que se encontra o mais próximo a terra ou chão a maior parte do tempo: nossos pés.

Na conecção pé-terra, obtemos o centramento e equilíbrio, base para o movimento e a ação do restante do corpo. Minha autonomia. E não me refiro só ao ponto de vista postural.

É muito frequente, nos distanciarmos da terra. Para começar, usamos sapatos que nos oferecem uma boa barreira ao contato e se forem de bico fino, apertados, incômodos, muito embora, fashion (?!) e esteticamente "bonitos"(?!) farão nossos pés sofrerem dentro deles. Na radiografia da situação temos dedos crispados, encavalados, musculatura intrínseca dolorida, calos... e já começamos a nos distanciar da terra, mesmo estando com os pés no chão.

Não demora para lembrarmos do salto alto, impondo um constante jogo de desequilíbrio a todo o corpo, piorando à medida que saímos da estática para o caminhar, e ainda se agravando nos terrenos irregulares e inclinados. Aumenta-se muito a quantidade de adaptações e ajustes que o sistema nervoso central e periférico terão que fazer para permitir e refinar a manutenção da postura e do deslocamento, impedindo que desmoronemos no chão (não é a forma mais segura de aterrar, concorda?)

Além disto, a lordose lombar ficará muito acentuada, com grandes chances de passar de uma situação fisiológica à patológica (dores lombares). Daí, pela adaptabilidade forçada, se tornará mais díficil viver sem o salto alto, porque o nível de encurtamento dos músculos posteriores (coluna, pernas) principalmente com o uso constante, não permitirá que permaneça muito tempo em pé sem que o esteja utilizando (já ouviu a fala: me sinto melhor de salto do que sem?)

Ainda, o questionamento sobre o quanto de insegurança e angústia nos pré-dispomos ao lidar sem consciência, com uma situação de desequilíbrio permanente (mesmo para as muito "adaptadas"). Impomos mais trabalho, sacrifício e risco ao corpo, a nós.

Outro exemplo que denota a tendência de nos afastarmos do chão é quando sentamos e cruzamos as pernas, significando que uma delas ficará no ar, diminuindo a base de apoio e provocando o deslocamento no eixo da coluna vertebral. Menos mal, quando pelo menos cruzamos afastando uma coxa da outra (como homem faz ou fazia). Mas, será elegante mesmo cruzar as pernas ao sentar? Que tipo de elegância busco?

Não me esqueci que vivo neste Planeta, numa sociedade "civilizada" existindo certos padrões já estabelecidos, aos quais fomos apresentados e habituados a valorizá-los, considerando-os adequados e esteticamente corretos. Assim acontece, mas não nos impede de olharmos e refletirmos sob outros ângulos, visando benefícios a nós mesmos.

Assim, pensar na manutenção da forma, evitando desconfortos e deformidades deveria ser naturalmente a escolha. Sabemos que não é possível andarmos descalços o tempo todo. Mas, há um tempo que podemos. Então, devemos andar. E também, só adquirirmos calçados confortáveis que respeitem ao máximo a anatomia dos pés, além de abolir o uso de salto. Hoje existem inúmeras possibilidades de se encontrar modelos interessantes, sem que sinta que está usando algo demodé. Mesmo para um figurino de festa, é possível. 

Outro ponto, refere-se ao questionamento do quanto se faz necessário para que através da conecção pé-terra harmonizemos nossas enérgias. Somos compostos por campos magnéticos de enérgia, cargas elétricas positivas e negativas que precisam estar equilibradas, sendo o mecanismo facilitado quando colocamos os pés no chão. E isto, não tem nada de esotérico.

Estas são apenas algumas percepções que procuram despertar o olhar e o direito a autonomia de cada um. Temos a liberdade de escolher o que julgamos ser mais interessante a nós, da estética à saúde e ao bem-estar.

Mas confesso, que quando vejo um corpo lutando para se equilibrar no salto, mesmo a pessoa apresentando uma fisionomia que não denote tal esforço, só me vem a cabeça uma inversão da expressão da qual já ouvimos tantas vezes: Será que não é melhor descer do salto?

Aterrar-se.
Mais um caminho para um Corpo Sustentável.



segunda-feira, 20 de junho de 2011

Alimento

Temos visto no blog as relações entre o humano, meio ambiente e sustentabilidade alinhavadas pelo corpo.

Não à toa sigo o caminho motor para percorrer o Corpo Sustentável, pois como já afirmei anteriormente, pensar em corpo, é pensar em movimento (e em especial, para uma fisioterapeuta).

Mas, ainda ocupando o movimento o papel principal, podemos expandir as associações e numa atitude de atrevimento, traçar relações entre o Corpo Sustentável e outros aspectos. Por exemplo, a alimentação (fonte de enérgia para o movimento).

Hoje, é muito comum, dispensarmos tempo e atenção ao tema...

... falta de alimento, excesso, distúrbios alimentares, doenças relacionadas a forma que nos alimentamos. 

Nossa alimentação reflete também nossas escolhas, nosso estilo de vida: a quantidade e qualidade do alimento consumido, passando pela comodidade, trabalho e tempo  dispensados desde o preparo ao ato propriamente dito de comer. 

Muitas escolhas e hábitos que resultam mais comumente em quilos a mais (ACUMULAMOS). Estamos ficando mais gordos. E ainda, por cima, toda facilidade do mundo tecnológico, "facilitando" nossa vida, economizando nossa enérgia. Tudo em conformidade com o modo que vivemos. 

Como diz uma velha música... É preciso ter atenção...

Não se trata de perder noites pensando nisto tudo, mas admitir certas associações, evitando buscar fórmulas mágicas ao que está certo como mau escolha, que levará a outras tantas.

Nosso estilo de vida é o grande responsável pelo final da obra... e tudo isto, pode ter certeza muito se relaciona com meio ambiente e sustentabilidade. Passa pela mudança de modelos que já não nos servem... que me corrijam os educadores ambientais.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Pensar global, agir local: com o corpo

Já deve ter ouvido a frase: pensar global e agir local.

Este lema muito difundido por ambientalistas foi consagrado na Rio-92, importante conferência  a qual dentre outras coisas, também elegeu a Agenda 21 global : instrumento norteador a viabilização do desenvolvimento sustentável (vale o acesso, caso não conheça).

Mas, retomando... 

Antes sempre associada ao tema ambiental, a frase ganha outras dimensões e novos territórios de acordo com a interpretação, prevalecendo a essência do significado: não perder a noção do todo, atuando em parte. 

Impossível não associá-la ao corpo. 

Utilizando ou trabalhando partes do corpo em determinada atividade física,  otimizamos ganhos e diminuímos o risco de lesões e problemas futuros, quando não perdemos a atenção da estrutura toda.

E isto serve para qualquer prática física (esportiva, lazer) ou atividade da vida diária (calçar sapatos, apanhar objetos no chão, etc). 

Vamos a um exemplo comum no dia a dia: ao pegar um objeto pesado com uma das mãos, ou mesmo carregar sua bolsa no ombro, observe como se comporta o resto do seu corpo: o quanto um ombro se abaixa, enquanto o outro se eleva, num jogo de compensação de peso. E isto só para começar, pois podemos pensar nas compensações do tronco-coluna, coxo-femurais, joelhos e até mesmo nos pés de um lado e outro. O corpo inteiro passando por adaptações acionadas pelo peso (quanto mais, maiores adaptações).

Mas, quantos de nós somos capazes de dar conta de todas essas alterações citadas? E isto é necessário? É preciso saber dessas questões bio-mecânicas?

Não, necessariamente. Mas, pense como pode se beneficiar se estiver um pouco mais atento a como todo seu corpo se comporta, principalmente em situações pouco favoráveis, como ao abaixar ou "estender-se" todo a fim de alcançar algo.

Em sua "ação local", pense em todo esforço e nas consequências que o corpo inteiro colherá nesta atividade.

E depois, se chegar a conclusão que se desgastou além do necessário, ou se comportou como um acrobata inconsequente, imagine como pode fazer melhor... poupando enérgia, protegendo-se de acidentes, evitando desgastes articulares e dores musculares.

Assim, pode acontecer no cotidiano, à princípio de forma mais consciente, e depois num caminho bem mais sútil e natural.


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Corporeidade

Existe uma área de conhecimento em que o corpo ocupa o centro das experiências, sensações e criações, visando aspectos da globalidade do ser e do auto-conhecimento. Refere-se à corporeidade.

Trata-se de perceber o espaço ocupado pelo corpo, habitando e reconhecendo-o em suas várias perspectivas.

É a capacidade do humano sentir e utilizá-lo como ferramenta de manifestação e interação com o mundo. Vivenciar o mundo.
 
E quanto mais frequente e intensa a experiência, melhor nos (re)conhecemos e podemos tirar proveito desse corpo, desse instrumento...

Recurso que nos personifica e oferece meios para realizarmos o que necessitamos.

Esqueça a visão mecanicista e superficial dada ao corpo.

Tão limitante é enquadrá-lo numa forma estereotipada, seguindo a moda da vez, sem que ao menos perceba e reconheça o preço pago pela ditadura da "beleza".

Tão limitante é impor práticas físicas que exaurem articulações, levando a encurtamentos musculares severos, causando desequilibrio a sútil relação entre músculos agonistas e antagonistas. 

Tem certeza que o fortalecimento e alongamento que realiza em sua prática está na medida para manter a harmonia em todo conjunto? 

Mais do que gostaria, me deparo com situações em meu dia a dia de trabalho, em que a musculação causou grandes descompensações biomecânicas. Não pretendo execrar essa prática física, mas é preciso que se reconheça o tênue equilibrio dinâmico entre a estrutura osteo-músculo-articular. 

Vale o príncipio da atenção e  precaução sempre.

Escolher a prática física que traz bons frutos para seu corpo e lhe dá prazer pode ser um pouco trabalhoso. Mas, não deixe de se auto-perceber e avalie, reavalie... questionando se o que escolheu como atividade lhe traz bem-estar, enérgia, resistência, amplia possibilidades para se mover, traz naturalidade aos seus movimentos, gestos, posturas. 

Aposto na informação, autonomia e responsabilidade como grandes aliadas a favor da corporeidade... da experiência de vivenciar o mundo, o planeta... construindo-se um Corpo Sustentável. 


terça-feira, 10 de maio de 2011

Corpo Travado

Quem já não ouviu ou passou pela situação de sentir a "coluna travar", o "corpo travar". O chamado "mau-jeito". Situação comum, mas nada confortável.

De forma geral, a dor atinge principalmente os músculos que se inserem nas vértebras, ou seja, os músculos para-vertebrais. Ficam inflamados, rígidos e contraturados.

E o que se inicia em uma parte da estrutura, se amplia e o corpo todo se ressente. Os braços limitam sua movimentação, o mesmo acontecendo com as pernas. Observe a marcha, o caminhar de alguém acometido pelo infortúnio: passos curtos, inseguros, braços e cabeça com pouco balanceio.

Na coluna vertebral se inserem potentes músculos excessivamente tônicos e fortes (sim, é assim nossa fisiologia), que agora encontram-se inflamados e vulneráveis.

Desta forma, mais do que a força são necessários outros requisitos para garantir uma estrutura saudável: o alongamento das próprias fibras musculares, a flexibilidade das articulações... enfim a harmonia de todo conjunto ostéo-músculo-articular envolvendo: coluna-tronco, membros superiores, inferiores, cabeça.  Aqui como na vida, uma andorinha só, não faz verão.  

Mas, por que é tão comum pessoas serem acometidas por problemas que envolvem a coluna vertebral?

A resposta passa pela somatória de fatores que se relacionam a hábitos nocivos em nosso cotidiano, levando a situações que nos imobilizam transitoria ou definitivamente.

Posturas inadequadas ao sentar, ao andar, desde as "largadas", em que o abdominal quase não exerce seu papel postural, às excessivamente rígidas são um bom começo para começarmos o questionamento.

Também a imobilidade no dia a dia (já tratada aqui no blog), nos restringindo na forma e na ação. Nenhuma atividade física  será totalmente efetiva se ficar horas e horas seguidas imobilizado a frente do computador, por exemplo.

Esforços excessivos, além do que o corpo suporta são bons causadores de lesões agudas...

É preciso alternar, compensar sistematicamente: imobilidade/mobilidade, esforço/repouso, mantendo sempre a atenção no estado corporal.

Bom senso sempre! Eficiência na ação, não pró-forma.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Corpo: Testemunha Ocular

Traçar paralelos, integrar homem e meio ambiente, focar e reconhecer o corpo humano em toda sua complexidade como uma parte do todo, sendo considerado concomitantemente, espaço ocupado e ocupando um espaço no meio ambiente tem sido objeto de investigação do blog.

Na vida, o corpo é certamente um magnífico canal de percepção, sensibilização e comunicação. Por isto, insistir no valor da experiência corporal como recurso para entendermos o que se passa lá fora.

Para ilustrar, lembre-se de alguma situação prazerosa que passou em viagens, no alto da montanha, ou em algum parque, embaixo de uma árvore sentindo o molhar da chuva, o som do vento, o cheiro do mato... Nosso corpo através de milhões de receptores captou cada uma das sensações que ficaram na memória.

E assim também, com as experiências menos agradáveis como o mau cheiro do rio poluído, do gás ácido dos escapamentos, o barulho infernal das grandes vias de trânsito (consegue andar a pé na Av Bandeirantes incólume?), a poluição visual. Está tudo registrado em você, em seu corpo.

No dia a dia, nos expomos e passamos por várias situações boas ou não, interagindo com o meio e a vida, com esse veículo ou casa móvel inata, o corpo.

Assim, ao tratar qualquer assunto sobre meio ambiente e sustentabilidade não deveríamos ignorar nossa experiência corporal. Antes de analisar, teorizar sobre algo referente ao tema é interessante ter a consciência que você já teve muitas informações através deste outro canal,  sentindo,  percebendo, interagindo em muitas situações, a vida toda e a todo momento.

Esta é apenas uma mostra do valor do corpo em nossa vida. Óbvio sim. E também, concordamos que ter um corpo saudável e ágil é bom para ampliarmos experiências. 

Então, pensemos em tudo isto,  respeitando e oferecendo boas práticas a nós, ao corpo. Poupando-o de impactos negativos, otimizando ações, dando-lhe eficiência sem desprender uma enérgia excessiva. 

Lembre-se: ele será sempre a testemunha ocular de nossas escolhas e vivências.